VIAGEM PITORESCA
ATRAVÉS DO ESPAÇO AO REDOR DA MINHA CASA #03 - TRIENAL FRESTAS

Piratininga ou Capim Molotov, 2017

Esta terceira versão de Viagem pitoresca através do espaço ao redor da minha casa, definiu a idéia de que a instalação é serial, e que provavelmente vou repeti-la em novas configurações outras vezes. Desta vez a minha casa tinha se tornado o Cerrado Infinito e pela primeira vez apresentei desenhos, videos, e objetos da minha movimentação nele e arredores. Também o percurso entre São Paulo e Sorocaba contribuiu, com o desenho de algumas paisagens e um outdoor de madeira que construi. Vi vários deles abandonados na beira da estrada.

A disposição dos elementos cria um corredor que acessa um tipo de clareira, mais ou menos a área que estabeleço em terrenos baldios, onde passo o tempo observando. Um dos objetos criados para essa instalação são Capins Molotov, que consistem em capins sapé com as raízes cobertas de asfalto, e que podem ser utilizados para lançar fogo, como um coquetel molotov. O fogo, é um elemento purificador dos campos, que elimina as espécies florestais e outras invasoras, em um dos  videos apresentados eu utilizo um deles para queimar um terreno baldio da cidade, onde coletava plantas do cerrado. Esse terreno foi terraplanado e no video não tem mais a vegetação, se tornando então um ato atrasado, sem efeito. Colocar o fogo, neste caso pode ser entendido como uma reivindicação  politica, que chega atrasadaou não sendo feita com a força suficiente , não produz nenhum resultado. 

" Por meio dessa pesquisa, o artista tece uma narrativa sobre uma natureza resiliente e, em paralelo, reúne indícios para refletir sobre a documentação de arte como amostragem de um processo que acontece na vida cotidiana, para além do museu e da obra. Desta maneira, aponta a inadequação de se pensar a arte de maneira autônoma ou encerrada em um objeto material. Mais do que pôr em prática um mapeamento de áreas verdes em risco, Viagem pitoresca… articula um conjunto de acontecimentos, intervenções e transformações. Tais gestos demonstram as possibilidades da arte como ato social e político, capaz de suscitar os devires – ou ao menos as utopias – das coisas e do mundo. "

trecho do catálogo daTrienal FRESTAS, no SESC Sorocaba em 2017