Não pise na grama ou Árcadia

   Criei uma rotina de visitar terrenos baldios e casas demolidas, onde encontrava brinquedos, livros, panelas, cabides e outros objetos que já tinham tido algum significado, mas ficaram abandonados e esquecidos no meio do entulho. Um recalque me chamava a atenção, na paisagem arrasada se mantinha mais ou menos intactos os jardins. Como se as empreiteiras tivessem algum tipo de empatia, pela natureza ou mantivessem parte da paisagem que forçavam modificar. Esses jardins não duravam muito tempo depois do início das obras, mas no breve período entre a demolição e a construção eles serviam de apaziguador psicológico ,todo mundo no entorno já tinha se acostumando com a mudança da paisagem.

​Ás vezes o terreno era tempos depois fechado com tapumes, e ficava um período mais longo sem atividade, em poucas semanas começava a ser coberto por capins, e de fato alguns desses terrenos depois de certo tempo pareciam campos naturais, alguns eram até floridos.

“Desenho e arquitetura interagem, mas, inversamente, a livre improvisação do desenho resulta na linha espessa e contínua que percorre o sinuoso e azul espaço do banheiro sem violá-lo, mas cortejando-o. Talvez o valor intrínseco da forma livre não passe de uma ilusão metafísica e o desenho possa admirar a solidez das coisas e suas finalidades mundanas. Não é à toa que estamos no banheiro, local de necessidades físicas, nudez e também asseio, vaidade, purificação.”      

Por José Bento Ferreira