Cerrado Infinito

    "Cerrado Infinito é o primeiro experimento de recriação de uma paisagem de cerrado dentro de uma área urbana pública. Um refúgio de plantas inevitavelmente extintas ao longo do desenvolvimento da cidade de São Paulo, e expulsas para a periferia até seu completo desaparecimento. O projeto as resgata, num processo de colagem vegetal onde ao serem combinadas, revivem a paisagem dos míticos Campos de Piratininga.

   A tentativa é de esvaziar uma parte da cidade, e devolver a terra a um marco zero, anterior á ocupação colonial,. Também é um esforço para cultivar um terreno baldio e biodiverso, de plantas, animais e de pessoas, á medida que recuperam a memória do lugar que habitam.

  Trata-se entre outras coisas, de levantar a história de um desenvolvimento e destruição promovidos coletivamente, pelo cultivo do sertão original, aquele pelo qual entramos para conquistar o interior do continente e formar o pais. É o intento de criar uma nova cultura campestre na cidade, invertendo a estética, valorizando a flora savânica que foi sistematicamente tratada como mato do atraso, e  que ocupava mais da metade da  área da cidade.

   O Cerrado Infinito é plural e simultâneo, um trabalho compartilhado que alimenta e serve de cura para algumas pessoas mais atentas, que tentam desprogramar-se da vida urbana.

    É um território que reconhecido, pulsa sozinho, onde cada um o utiliza e interpreta como quer, alguns disseram ser a salvação do cerrado, outros um jardim feio. Para mim ao longo de 5 anos, á frente do projeto ele foi se tornando também, á margem de muitos encontros felizes, o que menos gostaria, um tipo de monumento á destruição do meio ambiente e da falência de cooperação entre as pessoas neste pais. Enquanto relembro as inúmeras histórias que vivenciei com o projeto,  é difícil deixar escapar  um paralelo com a ruína em que o pais inteiro se meteu neste período.

    Agora com o coronavírus, obrigando a uma quarentena cada vez mais rigorosa, sua manutenção fica mais difícil, pois se trata de uma "natureza construída e artificial," completamente dependente das pessoas que agora estão em casa…

     Se a afirmação parece  incoerente ao propósito original do projeto, afirmo que vivemos em um tempo onde o ócio, a liberdade e onde a "natureza" e os terrenos baldios com sua flora singular tem que serem continuamente cultivados. Descobriremos em breve para onde essa trilha nos leva."

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Cerveja INFINITA

Marx, que ao longo de sua trajetória, além da mata atlântica, trabalhou com plantas do cerrado, espécies amazônicas e do sertão nordestino. Ele valorizou as espécies nacionais até então desprezadas e, entre o trabalho de artista e o ernando Limberger, que possui também uma atuação como paisagista profissional. Sua obra em geral reinventa paisagens a partir da desnaturalização do olhar. Ao se valer de pigmentos naturais e tons de areias que não vemos normalmente no solo, sua prática explicita que o que chamamos de paisagem tem um vínculo íntimo com o projeto e com a pintura. Claro que há uma complexidade de outrantes de diversas espécies encontradas ali naular de cerca de 25 metros quadrados. Ao longo do tempo da exposição as sementes vão brotando e se desenvolvendo. A paisagem para Limberger é um processo em constante transformação. A configum tanto nubladas pelos fios das penas. Se os desenhos são autônomos e não partem de projetos paisagísticos, ele se aproximam bastante de plantas baixas usadas em projetos.

     A obra de Ana Paula Oliveira em Três Paisagens se relaciona com a paisagem menos como representação do que a partir da presença de fragmentos de elementos naturais como cascas de cigarras ou casulos. Em trabalhos anteriores a artista já recorreu a animais vivos como peixe se nem mesmo o processo de decomposição pudesse ocorrer. Algo próximo de um estado de exceção. De uma forma piramidal, com o vértice apontado para uma das quinas do espaço expositivo, brotam cerca de 5 mil origamis de cigarras que se multiplicam e se espalham estranhferroviárias, são pedaços da paisagem. Pesadas, elas desafiam a gravidade, mas paradoxalmente para apoiar leves dobraduras de cigarras