CERRADO INFINITO

Cerrado Infinito é o primeiro experimento de recriação de uma paisagem de cerrado dentro de uma área urbana pública. Um refúgio de plantas inevitavelmente extintas ao longo do desenvolvimento da cidade de São Paulo, e expulsas para a periferia até seu completo desaparecimento.

O projeto as resgata, mapeando sobreviventes, coletando mudas e sementes para serem plantadas em conjunto, formando ao longo do tempo a visualidade dos extintos Campos de Piratininga. A tentativa é desprogramar territórios pela cidade, e devolver a terra a um marco zero, anterior á ocupação colonial. Também é um esforço para cultivar um terreno baldio e biodiverso, de plantas, animais e de pessoas á medida que recuperam a memória do lugar que habitam. O projeto, instaura um novo começo, onde os cidadãos são convidados a plantar cerrado, criar um convivío cotidiano com essas plantas e uma nova cultura campestre pela cidade, que inverte a estética valorizando  uma  flora sempre desconsiderada, sistematicamente destruída, e vista como mato do atraso.Trata-se entre outras coisas, de tomar ciência das histórias do nosso desenvolvimento e destruição, trazendo á frente, a importância dessa pequena área de cerrado que já ocupou mais da metade da cidade. Este primeiro sertão, hoje extinto, esquecido e fora da cartografia do bioma, palco e origem de toda a cultura sertaneja com sua culinária, música e comportamento, forjou uma cidade que apaga seu reflexo caipira entre edifícios de vidro.O projeto é um lembrete do paraíso perdido paulistano com sua natureza riquíssima e biodiversa, um mosaico de biomas, com delicados campos de cerrado,  várzeas pantaneiras e a exuberante floresta atlântica. Se esta cidade é um modelo de desenvolvimento para o resto do pais, o projeto  não deixa de ser um monumento involuntário á nossa inabilidade como povo de evitar a destruição dos biomas e da nossa identidade com a paisagem natural.

Cerrado Infinito é o primeiro experimento de recriação de uma paisagem de cerrado dentro de uma área urbana pública. Um refúgio de plantas inevitavelmente extintas ao longo do desenvolvimento da cidade de São Paulo, e expulsas para a periferia até seu completo desaparecimento.

O projeto as resgata, mapeando sobreviventes, coletando mudas e sementes para serem plantadas em conjunto, formando ao longo do tempo a visualidade dos extintos Campos de Piratininga. A tentativa é desprogramar territórios pela cidade, e devolver a terra a um marco zero, anterior á ocupação colonial. Também é um esforço para cultivar um terreno baldio e biodiverso, de plantas, animais e de pessoas á medida que recuperam a memória do lugar que habitam. O projeto, instaura um novo começo, onde os cidadãos são convidados a plantar cerrado, criar um convivío cotidiano com essas plantas e uma nova cultura campestre pela cidade, que inverte a estética valorizando  uma  flora sempre desconsiderada, sistematicamente destruída, e vista como mato do atraso.Trata-se entre outras coisas, de tomar ciência das histórias do nosso desenvolvimento e destruição, trazendo á frente, a importância dessa pequena área de cerrado que já ocupou mais da metade da cidade. Este primeiro sertão, hoje extinto, esquecido e fora da cartografia do bioma, palco e origem de toda a cultura sertaneja com sua culinária, música e comportamento, forjou uma cidade que apaga seu reflexo caipira entre edifícios de vidro.O projeto é um lembrete do paraíso perdido paulistano com sua natureza riquíssima e biodiversa, um mosaico de biomas, com delicados campos de cerrado,  várzeas pantaneiras e a exuberante floresta atlântica. Se esta cidade é um modelo de desenvolvimento para o resto do pais, o projeto  não deixa de ser um monumento involuntário á nossa inabilidade como povo de evitar a destruição dos biomas e da nossa identidade com a paisagem natural.

 

CERRADO INFINITO NA ESCOLA ESTADUAL

JARDIM DAS CAMÉLIAS

 

Convidado pela minha amiga Silvia MH, artista e educadora, fui apresentar meu trabalho na Escola Estadual Jardim das Camélias, durante sua aula de artes.

Um ano depois, já com o Cerrado infinito na Praça Homero Silva, conversamos sobre a necessidade de expandir a trilha para outro local da cidade,e lembramos que a escola possuía um grande terreno, completamente abandonado. Fui lá e conversei com a direção, que aprovou a iniciativa de fazer o plantio e desenvolvermos um pequeno trecho da trilha com os alunos.

Era um plano do programa do Cerrado Infinito expandir a trilha em vários pontos pela cidade, e nessa vontade utópica, conectá-los no futuro até criar uma grande área campestre urbana. Mas o cultivo de cerrado é uma tarefa difícil ainda em processo de entendimento, e antes disso é necessário reprogramar nossa relação com as plantas, pensei que nada poderia ser melhor do que começar numa escola. O processo durou dois anos, eu levava plantas todas as quartas feiras e ensinava os alunos a plantarem, entenderem as relações entre elas, sobre seu papel  no equilíbrio ecológico, na captação de água, com a fauna, na história da cidade, e o por que delas terem desaparecido completamente por aqui.

A situação do terreno era ruim, cheio de lixo que foi devidamente encaminhado, e retiramos os capins até deixar completamente a terra nua, depois reviramos tudo e a surpresa era que tinha muito entulho por baixo. Para tentar melhorar o solo, cada aluno levou um pouco de terra adubada, o que não é um procedimento normal dos plantios do Cerrado Infinito. A terra adubada não ajuda muito pra fazer cerrado, embora a quantidade que colocamos tenha sido apenas simbólica. Ao longo do tempo, no entanto a vegetação se adaptou bem, não é a toa que boa parte delas são típicas de terrenos baldios.

e no processo lento de quase um ano, conseguimos um resultado mais rápido do que no Cerrado Infinito da praça. As regas e o cuidado um pouco mais reservado da escola, favoreceu as plantas, que diferentemente da praça, sofrem a fricção com  as pessoas, a falta de água no inverno, e outros problemas de um espaço aberto. As plantas foram encantando todos, funcionários, alunos, e a minha relação com eles foi mudando. Nunca me coloquei como professor, mas acredito que os alunos apreenderam e vivenciaram coisas que não teriam acesso de outra forma. A escola pública em São Paulo, como no Brasil em geral é sucateada, sem recursos, no Jardim das Camélias não é diferente.

 

A situação do terreno era ruim, cheio de lixo, para começar, retiramos os capins até deixar completamente a terra nua, depois reviramos tudo e a surpresa era que tinha muito entulho por baixo. Para tentar melhorar o solo, cada aluno levou um pouco de terra adubada, o que não é um procedimento normal dos plantios do Cerrado Infinito. A terra adubada não ajuda muito pra fazer cerrado, embora a quantidade que colocamos tenha sido apenas simbólica.

Ao longo do tempo, no entanto a vegetação se adaptou bem, não é a toa que boa parte delas são típicas de terrenos baldios. e no processo lento de quase um ano, conseguimos um resultado mais rápido do que no Cerrado Infinito da praça.

As regas e o cuidado um pouco mais reservado da escola, favoreceu as plantas, que diferentemente da praça, sofrem a fricção com  as pessoas, a falta de água no inverno, e outros problemas de um espaço aberto. As plantas foram encantando todos, funcionários, alunos, e a minha relação com eles foi mudando. Nunca me coloquei como professor, mas acredito que os alunos apreenderam e vivenciaram coisas que não teriam acesso de outra forma.

A escola pública em São Paulo, como no Brasil em geral é sucateada, sem recursos, no Jardim das Camélias não é diferente.