Alguma coisa com montanhas que não lembro..

Viagem Pitoresca através do espaço ao redor de minha casa #02

Demiurgo Caballero por Renato Pera, 2015

 

“A cidade dá a ilusão de que a terra não existe”

Robert Smithson

 

A meu ver, o que anima a obra de Daniel Cabalmononononona contradição frutífera: por um lado, uma domesticação da representação da paisagem natural (movimento que a configuração da cidade realiza), e por outro, um retorno a uma condição primitiva, ao interior da caverna (novamente, entropia).

Demiurgo-Caballero. Se o demiurgo platônico reproduz a forma segundo modelos ideais, portanto impõe ordem onde a ordem não existe, Daniel Caballero parece encontrar um mundo em desmoronamento. O demiurgo torna-se uma espécie de arquivista, um ser exausto que tenta reter algo deste mundo com fita adesiva e outros materiais toscos e rápidos, antes que o mundo deixe de existir.

 

* Texto realizado por ocasião da curadoria da obra Land Art ou Onde podemos construir montanhas? de Daniel Caballero, na Estação São Bento do Metrô de São Paulo, como parte da 9ªSemana Metrô do Meio Ambiente - 2014.